Rivalidade no futebol, cumplicidade no amor (?)

... só se for no amor à bola.


Para mim os clássicos (entre o clube da Invicta e a equipa de Alvalade) começam sempre antes do apito inicial do árbitro.
E porquê? Ora, porque namoro com um adepto ferrenho do Sporting CP!


E tudo poderia decorrer na paz dos deuses, se eu me estivesse a marimbar para o futebol. Mas não estou! Sendo eu Portista e seguidora (relativamente) assídua de futebol (sim, eu gosto de "ir à bola") acabo por vibrar imenso nos jogos, sobretudo nos clássicos! O que não lhe costuma cair bem, sobretudo se a minha equipa for em vantagem! 
Assim que é conhecida a data em que os dois clubes se irão defrontar, e à medida que o dia se aproxima, dá-se início a uma longa troca de picardias e provocações. Nesta batalha, eu levo quase sempre vantagem, porque os argumentos estão do lado do meu clube (claaaaaro!). Mas ele não se fica e evoca quarenta mil vezes os seus dois argumentos preferidos para atacar o meu clube: a corrupção e a arbitragem (se bem que também o incomoda a percentagem de jogadores portugueses ao serviço dos dragões (que são poucos)).
Mas toda esta hostilidade "pré-jogo" é sempre feita num clima de descontração, animação e humor à mistura. Cada um puxa "a brasa à sua sardinha", como é normal, mas, por outro lado, também existe (felizmente) sensatez suficiente para reconhecer o mérito ou os pontos fortes do adversário.
No momento do jogo, aí sim, é que a coisa muda de figura. Assim que o jogo começa, deixo de ser a "Ana, a namorada", que ali está do seu lado, para passa a ser a "Rival Tripeira, a adversária". E, como qualquer outro adepto adversário, não sou poupada a um olhar fulminante ou a um bitaite mais ríspido. E os anos passam e, hoje, ainda é o dia em que não aprendi a domar o leão. 
Quando é dado o apito para o início do jogo, por norma, faz-se sempre um silêncio perturbador e ele agarra-se às unhas. Se então a minha equipa marca primeiro, está o caldo entornado! E desengane-se quem julga que isto vai lá com mimos. Quando está debaixo daquela nuvem de tensão o melhor mesmo é deixá-lo no seu cantinho, não lhe tocar e muito menos vibrar de forma fulgurosa a qualquer jogada mais ousada do meu clube - o que às vezes não é fácil de controlar. E quando grito e festejo os golos em êxtase? É capaz de me guardar mágoa até o próximo jogo! ahahah
Tolerar esta atitude e ainda ter que levar com um "Sporting és o meu grande amor!" é dose! 
Tanto esforço e dedicação para ser uma namorada exemplar e, vai-se a ver, no final de contas, o Sporting - que só lhe dá desilusões - é que fica com os louros! É caso para dizer que "o amor é realmente cego"!
Digamos que ao longo dos anos fui tomando consciência das coisas: serei sempre a número "um", exceto quando houver bola ao barulho. Se tivermos em conta que há bola todos os dias da semana - Liga dos Campeões ou Liga Europa ou Taça de Portugal ou Campeonato Nacional (e os outros campeonatos todos), mais o Europeu ou o Mundial - e que o homem, ainda, treina a equipa da terrinha três vezes por semana, com jogo ao fim-de-semana, podemos ponderar que estou em primeiro plano lá para 2097.
Ainda ponderei em castigá-lo de alguma forma, fazendo um ultimato ou uma birra... Mas depois pensei: "Haverá sempre o PES(adelo)!". 

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2 comentários:

  1. "...serei sempre a número "um", exceto quando houver bola ao barulho. Se tivermos em conta que há bola todos os dias da semana - Liga dos Campeões ou Liga Europa ou Taça de Portugal ou Campeonato Nacional (e os outros campeonatos todos), mais o Europeu ou o Mundial - e que o homem, ainda, treina a equipa da terrinha três vezes por semana, com jogo ao fim-de-semana, podemos ponderar que estou em primeiro plano lá para 2097." O que eu me ri com esta parte!

    Mais uma vez, identifico-me inteiramente com esta situação, visto que namoro com um árbitro de futebol!
    E os fins de semana são totalmente ocupados por jogos que ele arbitra e os jogos que dão na SportTV! É caso para dizer : Homens! :-D

    Felizmente somos do mesmo clube! Embora ele por lei não deva ter nenhum clube ;-)

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    1. Quer dizer, pode ter, mas não pode (nem deve) assumi-lo publicamente, por uma questão ética e não só :)
      Bem-vinda ao clube! Com certeza não somos caso único, também! Levamos 20 a zero da bola! Ninguém merece! :p

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